quarta-feira, setembro 29, 2010

Uma voz que reflete o problema deste país.

sábado, setembro 25, 2010

Quem tem medo de popularidade?


Hans Christian Andersen, o grande contista de fábulas dinamarquês, tem uma história que retrata muito bem a realidade política brasileira, na figura do presidente Lula. É o famoso conto da roupa nova do rei. Dois bandidos fraudulentos, que se passavam por alfaiates, deram a idéia ao monarca de vestir uma roupa que só os mais astutos e inteligentes veriam. Aí dissimulavam costurar uma roupa invisível, e afirmavam que aqueles que não conseguiam ver as suas vestes, careciam de inteligência. Os seus pares nobres fingiam ver a nova roupa do rei, temendo o rótulo de burros. E todo mundo elogiava a vestimenta real que ninguém via. Num belo dia, quando o rei passeava com os trajes invisíveis, eis que uma criança sincera começou a gritar: - O rei está nu!

Se alguém se perguntasse o porquê dos nobres e demais pessoas fazerem vista grossa aos caprichos reais, há várias explicações: covardia, vaidade e, tão grave quanto, o medo de parecer impopular. A grande maioria parece ter medo da popularidade do Lula. Nenhum político ousa contestar seus desmandos autoritários, e, tampouco, sua vigarice compulsiva. É pior, a chamada “oposição” (e coloco entre aspas, porque ela não existe, de fato) também elogia a roupa do rei, já que teme perder simpatias por isso. Vai por conta da mesma mentira. Como o rei nu, todo mundo admira uma roupagem que não existe, para não fazerem papel de burros. No entanto, o grotesco é que quase todo mundo faz esse papel. Vendo uma roupagem inexistente, estão alimentando as sanhas paranóicas do rei. Ou pior, estão sendo literalmente burros, vendo coisas que não existem e promovendo uma pessoa indigna de confiança.

Na minha vida pessoal, na escola, na universidade, enfim, em qualquer lugar, sempre desconfiei dos populares. É claro que há gente popular honesta. No entanto, popularidade nunca foi sinônima de honestidade, honradez, inteligência, independência. Muito pelo contrário, a popularidade parece ter um preço para certas pessoas e muitas delas pagam pela falta de autenticidade, pela tendência a agradar todo mundo. Pelo contrário, eu já consigo ter uma admiração por pessoas impopulares. Nem todas elas são boas. Mas o fato de ir contra a maré do lugar-comum e da massa já implica certa dose de determinação e autonomia. Muitos impopulares que conheci eram pessoas honestas, decentes, inteligentes e visivelmente independentes nas opiniões. Eles não queriam ganhar a simpatia do público ou serem paparicados pela massa. Eles queriam justamente buscar a verdade, ouvir a própria consciência, contra os desmandos e as ilusões pacificadoras da coletividade. Claro que nem isto é regra. Os impopulares também podem ser cretinos. No entanto, sob alguns aspectos, impopularidade pode ser sinal de dissidência, de que algumas pessoas pensam diferente.

Neste aspecto, quase sempre fui “impopular” em praticamente tudo, nos gostos, nas aptidões, nas idéias. Isso me cobrou certo preço. Ser impopular faz com que percamos muitas coisas. No entanto, ser “impopular”, quando se está do lado da verdade, preserva uma grande paz de consciência. Sócrates foi impopular quando o obrigaram a tomar a cicuta. E a história de Jesus Cristo é a crítica maior contra todas as popularidades: a ralé preferiu o bandido Barrabás ao Mestre, Rei dos Reis, Deus encarnado. Se até Barrabás foi popular em sua época, o mesmo se pode dizer de Hitler, Stálin, Mussolini e outros tipinhos calhordas.

E não será diferente com o presidente Lula, que faz da popularidade uma espécie de isenção moral de sua consciência. Aliás, popularidade no Brasil se tornou condição essencial de impunidade ou sinal de valor moral. Ninguém toca na reputação tosca do presidente. Os políticos têm medo, sabe-se lá por quê. Chega a ser uma espécie estranha de masoquismo ou suicídio político. Pode-se criticar o aparelhamento petista do Estado, o projeto totalitário consubstanciado no partido e na ideologia de Lula, porém, o presidente “popular” é intocado, tal como aqueles moleques vigaristas de colégio que pegam as melhores meninas, fraudam as provas dos professores e manipulam ou agridem os alunos menores.

A santificação lulista pode parecer um dos maiores enigmas do universo. Bem, tem explicação: a idiotização completa da população brasileira, a cumplicidade criminosa da inteligentsia com o poder e a corrupção moral e ética da classe política e dos empresários, levam a essa “popularidade” de mais de 80%, capaz de dar ao presidente uma espécie de poder de senhorio sobre o país, ditando, inclusive, um poste para ser seu substituto presidencial. Como muitos “populares” proxenetas, Lula dá sinais de megalomania, perde a noção da realidade. Só que essa perda do real é aprovada pelos seus bajuladores, que endossam cada mentira que conta e difundem para a massa, com sinais claros de messianismo redentor. E o povo, que muitas vezes segue o lugar comum, não vai pensar diferente. Até mesmo a “oposição” política endossa as falácias públicas do presidente. Na verdade, alguém tem razão em afirmar que o PSDB é a face da mesma moeda do PT: é a disputa entre o menchevique e o bolchevique, um é a oposição que pertence à mesma situação. O candidato tucano a presidente da república José Serra admira o sujeito que está por trás da violação do sigilo fiscal de sua filha. E os tucanos imbecis ainda divulgam um vídeo, afirmando que Lula controla os radicais do PT e coloca em dúvidas se Dilma vai controlá-los. É como se alguém, em plena Alemanha Nazista, afirmasse se Hitler controlaria o radicalismo do Partido Nacional-Socialista. De fato, Lula controla os radicais do PT. Ele é o próprio radical. Usa-os em causa própria. Se não controlasse os radicais, não teria o poder que tem. Uma obviedade que os tucanos, de tão estúpidos, não compreendem. . .

A parábola de Andersen é atualíssima em nossos tempos: o rei está nu. Falta apenas uma criança honesta detectar a mentira das roupas invisíveis do rei.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Uma falácia textual do oposicionismo chapa vermelha.



Vejam esse vídeo. Ele é o retrato cabal da covardia da oposição brasileira. A história descrita acima coloca uma falsa dicotomia: a de que o PT é uma coisa e Lula é outra. Ao invés de colocar a verdade no ar, ou seja, a de que o PT é apenas a estrutura e a blindagem de um projeto totalitário que envolve o presidente, o comentário do vídeo coloca Lula como o "defensor" da democracia e da liberdade de imprensa. Como uma espécie de capataz de fazenda, Lula, coitado, "não deixou" que a livre imprensa fosse amordaçada pelo PT. A argumentação é particularmente curiosa: é como se a favela tivesse segurança, porque o traficante impôs o toque de recolher. Ou então o galinheiro se sente seguro, porque a raposa não comeu as galinhas. Na prática, o vídeo absolve o verdadeiro chefão da camarilha petista: o próprio Lula!

Ou seja, a culpa é sempre dos áulicos do reizinho populista, nunca do presidente, essa relíquia intocável que não sabia de nada. E agora, a "santidade" lulista é repassada para Dona Dilma Rousseff. Não se discute se ela tem um projeto comum de tirania, mas se ela "segura" o projeto dos "radicais." Ora, os que eram considerados "radicais" do PT, os histriônicos, já foram expulsos há um bom tempo. Viraram PSOL. Porém, o vídeo induz o telespectador ao erro. Não é Dilma Rousseff, junto com Lula, que é seu criador, que tem um projeto ditatorial, em fortes ligações com o ultra-esquerdismo latino-americano e narcotraficante. É só o PT, como se o fato de os dois serem os seus maiores líderes não influenciasse nas diretrizes programáticas do partido. Na verdade, o PT só existe por causa de Lula.

O pessoal tem uma idéia estereotipada de radicalismo de esquerda. Acha que ser radical é ser histérico, briguento. Stálin estava longe de ser assim. Era um homem calmo e tomava cafezinho quando assinada suas sentenças de morte, as cotas de matanças exigidas pela polícia política, a NKVD. E ainda dizia que a maior paz de consciência dele era destruir os inimigos e dormir tranqüilo. O mais grotesco de tudo é que ele também não sabia de nada. A grande maioria do povo russo achava que as perseguições políticas não tinham em Stálin o seu maior algoz. Como o "guia genial dos povos" , aquele ser divino e maravilhoso, estaria por trás de práticas tão abjetas? A frase corriqueira era: - Ah se Stálin soubesse? E a frase do vídeo é: - Ah se Lula paz e e amor soubesse? Claro, o presidente da república assinou o PNDH-3, porque não leu o documento, coitadinho.

Quando a República de Weimar sucumbiu à ditadura nazista, em 1933, havia esse mesmo dilema: a SA, os famosos camisas-pardas, que eram o grupo paramilitar do Partido Nazista, foi rotulada de "radical", na figura de seu chefe Ernst Röhm, enquanto Hitler era considerado o "moderado" da história. Ah, mas o dilema dos alemães era, incluso alguns oposicionistas: será que Hitler segura as SA? Será que Hitler segura o NSDAP? Sim, Hitler esmagou a SA para colocar a Gestapo e a SS. Grande mudança!

O vídeo é de um tucanismo extremo. É aquela covardia moral abestalhada da oposição que não é oposição, mas a oposição que é da situação. Enquanto esse pessoal idiota ainda proteger a santidade de Lula, o PT será blindado pela sua popularidade, como Dilma, a terrorista, poderá ser nossa presidente.

O caráter do homem público.


Dou uma passeada pelas ruas de Belém e eis que me deparo com a placa do retrato de um cidadão, candidato a deputado estadual aqui em nosso estado. A história desse homem público, médico, é bem nebulosa: foi acusado de abusar sexualmente de uma menina de nove anos de idade. No entanto, a despeito deste indivíduo ter sido condenado a 21 anos de prisão pelo crime, e ser foragido da polícia, o Tribunal Regional Eleitoral deu parecer favorável à sua candidatura. O molestador de crianças agora pode ser eleito de novo, para ter imunidade, com o beneplácito do povo ignóbil. Que a opinião pública não se espante em ver tão disparate, demonstra a corrupção moral do eleitorado e, mesmo, das instâncias do judiciário. No Brasil, criou-se uma estranha forma de ver a justiça: o voto redime os criminosos, dá-lhes imunidade e impunidade.

O mesmo princípio se dá ao ex-ministro da fazenda Antonio Palocci, cujo crime foi o de violar as contas de um pobre caseiro, para destruir-lhe a reputação. Os petistas investem em Palocci, porque o empresariado confia no sujeito. Há quem diga que a “burguesia” mande neste país. Que nada! Os burgueses, na velha máxima de Lênin, vendem a corda que vão enforcá-los. O que passa pela cabeça deste empresariado quando repassa crédito a um homem que invade contas alheias, senão uma espécie imbecilizadora de síndrome de Estocolmo? Os empresários idiotas preferem acreditar na numerologia maquiada dos mercados do que nos eventos da realidade. É como se no juízo desses imbecis cabeças de vento, a economia fosse dissociada da política e de uma realidade em volta. Para essas bestas, a economia pode ir bem, enquanto tudo pode caminhar mal. O deslumbramento econômico em detrimento da realidade é uma estranha forma de alienação, de materialismo histórico sublimado na cabeça do povo. A idéia falaz de que o bem estar econômico é um referencial absoluto de todo o bem estar é uma dessas idiossincrasias típicas, não somente da democracia, mas do mundo moderno, materialista, cujo horizonte psicológico e moral parece se estreitar no mero hedonismo e imediatismo. Paradoxalmente, os mesmos materialistas reverberam invectivas contra a “sociedade de consumo”, o consumismo ou a efemeridade de conceitos e valores em nossa sociedade, como se não possuíssem culpa no cartório. Não são eles os arautos do relativismo moral e das seduções materiais, como elementos? Não são eles que destruíram, ao menos, no espírito dos políticos, da cultura e de uma boa parte do povo, os valores da transcendência? A democracia moderna, neste aspecto, possui o mesmo espírito das ditaduras totalitárias.

Não é de se espantar que o homem comum das democracias, apegado mesquinhamente ao seu dinheiro, aos seus bens materiais e aos seus confortos momentâneos da prosperidade, possa aceitar a mentira sistemática, o cerceamento das liberdades individuais, a censura, a bestialização cultural e intelectual e o rebaixamento moral da sociedade, tudo em nome dessa falsa ilusão de segurança econômica. A massa, por assim dizer, sente-se satisfeita por saciar as necessidades mais primitivas, contentando-se com uma situação próxima da animalidade. Quando o governo Lula, demagogicamente, fala de prosperidade econômica, do feijão com arroz, dos bens de consumo, da maneira bem vulgar que é característica deles, enquanto a violência explode nas ruas, a educação chega a níveis das cavernas, no antro de analfabetos funcionais ou quando o SUS é declarado o melhor serviço de saúde pública do mundo, mesmo muita gente morrendo em fila de hospital, sabe que está lidando com gente idiotizada e estúpida. Ou melhor, contribui culturalmente para esse fim. O vazio ético, moral e intelectual é visível na realidade política brasileira. É pior, visível, inclusive, entre seus eleitores.

O homem público da democracia brasileira (e não só brasileira) é o reflexo dessa doença espiritual disseminada em toda uma sociedade. Se os gatunos e vigaristas de sempre estão cada vez mais fortalecidos, as candidaturas de figuras exóticas ou mesmo criadas pela TV e pela mídia como Netinho e Tiririca são seriamente cotadas por uma boa parte dos eleitores. A tendência, ao que parece, é decair mais e mais o nível das figuras públicas, até chegarmos ao grotesco (isto, se não chegamos!). As virtudes exigidas do homem público, como honestidade, transparência, cultura, honradez, seriedade e respeito, estão seriamente abaladas. Nem mesmo o povo mais as reconhece. Pelo contrário, os critérios estão distorcidos. Política virou balcão de negócios ou um circo. Um espetáculo de propaganda, desinformação e falsificação em massa.

O futuro da democracia brasileira parece incerto. A desmoralização clara da classe de homens públicos ameaça, como um câncer, afetar a credibilidade das instituições. Na verdade, existe um grupo político que está preparado para desacreditá-las. Inclusive, promove a corrupção sistemática, a degradação e aparelhamento da administração pública e o ataque frontal aos valores democráticos, em particular, às liberdades civis e individuais. Na prática, o governo atual ataca os aspectos libertários da democracia e corrompe os seus elementos legitimadores, como o voto, tornando-o arma opressiva contra a própria democracia. Quando o voto se torna simulacro da falta de consciência de um povo, que participa compulsoriamente da política, que parece alheia aos seus próprios fins; quando na sociedade política há uma distância maior entre governantes e governados, uma vez que o próprio eleitor desconhece ou ignora quem elege; ou quando mal existe o reconhecimento público de parâmetros éticos e morais para se eleger os potentados, quando estes são conhecidos, esta democracia estará com os dias contados.