terça-feira, outubro 20, 2009

Os nobéis ignóbeis.


Ainda me pergunto o porquê dos suecos terem dado o Prêmio Nobel da Paz ao Sr. Barack Obama. Nas palavras deles, os critérios de avaliação foram "a importância especial da visão e do trabalho de Obama para um mundo sem armas nucleares" e o "novo ambiente na política internacional". Eu não nego meu estupor em ouvir essas justificativas, se bem que os resultados da Academia Sueca, pelo seu histórico nebuloso, não são totalmente supreeendentes. A paz, para os suecos, não é uma circunstância, um estado de equilíbrio em acordos diplomáticos e militares concretos; é um emaranhado de palavras vazias cheias de boas intenções. Será o frio da Suécia que causa isso? Os filmes chatíssimos de Ingmar Bergman? Ou será o esquerdismo gélido e insosso da social-democracia sueca, que na carência de revoluções internas violentas, quer fazer revolução totalitária na casa dos outros? O social-democrata é o comunista chique, o comunista light. Sua ligação com os movimentos revolucionários chega a ser algo masoquista: o social-democrata está para o comunista, assim como a mulher sexualmente reprimida está para a prostituta. Uma inveja a outra.

O Sr. Obama, decerto, não quer ver o mundo sem armas nucleares; quer que os Eua se desarmem unilateralmente, para ser alvo fácil de seus inimigos comunistas e islâmicos. O presidente americano criou um “novo ambiente”: um ambiente em que os totalitários de todos os matizes podem atacar o ocidente à vontade, já que sabem que os Eua estão sendo governados por um líder fraco e pusilânime. Se não bastasse a farsa política que se tornou o Nobel, até o nome da fiel defensora das Farc, Piedad Córdoba, foi cogitado para o prêmio. Ou seja, os suecos estão premiando como “pacifistas” até narcotraficantes e terroristas. Dentro dessa lista privilegiada de facínoras, Fidel Castro sugestionou o Prêmio Nobel da Paz ao cocaleiro narcotraficante da Bolívia, Evo Morales.
Não é a primeira vez que o Prêmio Nobel dá esses vexames e mostra de que lado ideológico está. Isso é bem mais antigo. Dag Hamarskjöld, o embaixador sueco e secretário da ONU nos anos 50 do século XX, cujo serviço pela “paz” foi dar toda a África aos movimentos comunistas, chamados erroneamente de “movimentos de libertação nacional”, acabou sendo um dos premiados pelo comitê sueco. Como a moda da época era bajular os ressentidos do Terceiro Mundo, aos caprichos da famigerada Conferência de Bandung, e odiar o “colonialismo europeu”, o sr. Dag fazia histeria para as potências européias, quando na prática, apoiava qualquer tirania africana ou asiática em nome de combater o “imperialismo”. Foi Hamaskjöld quem defendeu o Egito na guerra de Suez, em 1955, mandando exércitos da ONU para proteger o ditador Nasser contra o Estado de Israel. E ele deu carta branca para que os Obotes, os Patrice Lumumbas e Idi Amins Dadas da vida dominassem o continente africano, com suas tiranias brutais. Se a Africa está toda fragmentada pela guerra civil e pelo genocídio, deva-se a um queridinho da paz sueca! Mas não há o que se preocupar: muita gente acredita que a ruína atual da Africa é toda culpa do capitalismo!

Gente de caráter duvidoso como Yasser Arafat está na lista dos premiados pela paz. Quais as contribuições do corrupto e assassino Sr. Arafat por ela? Ter assinado um acordo com Itzhak Rabin? Por acaso a paz é só manifestos de bons mocismos? O primeiro-ministro inglês Chamberlain agitava um pedaço de papel assinado por Hitler aos seus eleitores, antes da invasão da Polônia. Deu no que deu: a paz vergonhosa e a guerra! A guerra pela destruição de Israel está a pleno vapor, em parte, por responsabilidade do criador da OLP. E as seqüelas do terrorismo islâmico estão batendo nas portas de nossas democracias, por conta desse arauto da paz do mundo árabe.

A “indigenista” da Guatemala Rigoberta Manchú também foi alegremente acolhida pelo prêmio. Ela fez história em defesa das terras dos índios quiché, usurpados por grileiros latifundiários brancos, que roubaram suas propriedades e os ameaçavam de morte. Pelo menos é o que ela contava. A militante inventou uma história paralela à sua vida real, através de um livro “Eu, Rigoberta Manchù”. Em sua biografia, ela é retratada como uma coitadinha semi-analfabeta, sem instrução e que comia farelos. Viu um irmão morrer de fome e seu outro irmão queimado vivo pelo exército guatemalteco. E ainda acrescentou que os pais foram assassinados pelo mesmo grupo. Depois que a gatuna recebeu 1,2 milhões de dólares dos suecos, uma investigação mais apurada descobriu que praticamente tudo não passava de uma farsa. Rigoberta nunca perdeu irmão algum queimado vivo; seus pais não eram vítimas despossuidas dos brancos usurpadores de terras. Pelo contrário, a própria família Menchú era grande proprietária de terras e brigava entre sí por elas. E ela estava longe de ser uma mulher semi-analfabeta: estudou numa escola de elite, o Colégio Belgo-Guatemalteco e nunca passou fome na vida. Nem mesmo viu a morte dos irmãos para contar a sua história fantasiosa. Na verdade, a invencionice teve a colaboração da esposa do radical de esquerda francês Régis Debray, que escreveu a estória da indigenista, a partir de entrevistas. No entanto, os defensores do Prêmio Nobel destacaram que a fantasia mentirosa de Rigoberta era um brado de denúncia das atrocidades do governo guatemalteco contra os índios. Em outras palavras, os suecos premiaram uma mitomaníaca que denunciava uma realidade que não viveu e que provavelmente não existe!

Porém, a sacralidade do Nobel não se limita a patifes covardes elevados a pacifistas e charlatães ativistas. O escritor português José Saramago é outro fenômeno ideológico da academia sueca: comunista, solta seus brados de ódio contra a religião em geral e em particular a fé católica. Falar mal dos religiosos se tornou o esporte predileto dos pseudo-intelectuais estúpidos ávidos de popularidade. As universidades e meios de comunicação estão infestados desses tipos como pragas do Egito!
Em reportagem sobre seu último livro, “Caim”, chama o papa Bento XVI de “cínico” reiterando essas palavras: "Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual desta pessoa." Saramago precisa ver Deus. Ou melhor, precisa tocar em Deus e tomar café com ele. De fato, ele toma sim: quando bajula os ditadores mais criminosos da terra, que considera como messias encarnados da profecia histórica marxista. Chega a ser patética a devoção religiosa do velhinho gagá, que sustenta sua idolatria chucra na igrejinha stalinista do Partido Comunista Português. Quando Fidel Castro fuzilou três dissidentes que fugiam desesperados pra Miami, o megatério idiota quase chorou por ter perdido a fé no caudilho sanguinário do Caribe. Saramago é mesmo sincero. O papa e um bilhão de católicos crentes em Deus é que são cínicos!

Outro contra-senso de Saramago: ele se aproveita dos preconceitos vulgares do público a respeito da Idade Média, para rotular a Igreja de “reacionária” (no tal “neomedievalismo universal”, uma doutrina que então eu não conhecia até ler as asneiras do português). Ele vai longe nas palavras de ódio contra os católicos: - “Insolência reaccionária”! O stalinista fanático, pra variar, se acha a “insolência da inteligência viva”! E Saramago afirma, no alto de sua megalomanía: "Ao longo da história, todas as religiões, sem excepção, fizeram à humanidade mais mal que bem. Todos o sabemos, mas não extraímos daí a conclusão óbvia: acabar com elas".
Claro, a Igreja medieval é “malvada”, "burra", "retrógrada". Santo Tomás de Aquino, Santo Alberto Magno, Santo Agostinho, Santo Anselmo da Cantuária, as catedrais, as universidades, os hospitais, as pinturas, as artes e demais engenhos criados pelo espírito medieval são tudo uma “insolência reaccionária”, um grande mal. Ou melhor, "é mais mal que bem"! O legado magistral da Igreja deve ser ofensivo demais para um velhaco com cabecinha de estudante profissional como Saramago. Para ele, “Insolência da inteligência viva” é a ditadura de Lênin, de Stálin, de Fidel Castro, com seus arquipélagos gulags e seus milhões de cadáveres! O português pensa que humilhou alguém com essas palavras. Na prática, acabou dando aval aos católicos e se expondo com viés tipicamente imbecil. Ao chamar o papa de “neomedievalista”, fez um notável elogio a Bento XVI! Com críticas assim, os católicos devem se orgulhar porque são verdadeiramente inteligentes! Presumo que Saramago sofra do mesmo problema do arquiteto Oscar Niemeyer. Estão ambos com mal de Alzheimer. A senilidade faz os velhos defecarem nas calças ou nas fraldas geriátricas!

Todavia, Saramago não está só nesta onda de estupidez. O mesmo raciocínio se aplica ao poeta e patife notável Pablo Neruda, outro ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Quando perguntado a respeito da invasão da Tchecoslováquia, em 1968, pelos soviéticos, o Sr. Neruda, numa clara manifestação de pura subserviência, não se fez de bobo: apoiou tacitamente a ação dos tanques soviéticos, ainda que inventasse sutilezas para justificar os comunistas. E o que dirá de outro nobel, o sr. Sartre, que dentre várias de suas pérolas, defendeu a invasão da Coréia do Sul pela Coréia do Norte?

A lista de “pacifistas” do Prêmio Nobel está cheia, como o inferno está cheio de boas intenções. A premiação sueca virou, acima de tudo, uma palhaçada, uma farsa, a fim de promover as piores vigarices políticas e culturais. Enquanto o Sr. Obama fala em desarmamento nuclear, a Coréia do Norte joga um míssil sobre o mar do Japão, ameaça usar seu arsenal atômico e o Irã tenta desenvolver sua primeira bomba atômica para evaporar Israel do mapa. É o pacifismo cretino e covarde que favorece a vitória militar que os inimigos querem. Ou como diria Churchil, é a paz vergonhosa que levará a guerra. Os suecos não premiam a paz, mas a caricatura dela. O Nobel é o "Prémio Stálin da paz" de nossos tempos!

quinta-feira, outubro 08, 2009

Crônica de uma geografia rasteira. . .

É impressionante notar o estado completo de alienação de muitos professores de geografia, com relação a geopolítica e mesmo a realidade mundial. Tudo o que é debatido a respeito da expansão do islamismo na Europa e a sua aliança com as esquerdas mundiais é virtualmente desconhecido por eles. É pior: a própria realidade latino-americana, com a expansão do socialismo “boliviariano” de Hugo Chavez, é também ignorada. Percebi isso quando assisti a uma aula de geografia na minha faculdade de história. O assunto a ser comentado foi sobre a Bolívia, em particular, a ascensão ditatorial de Evo Morales e o confisco da Petrobrás. Escutei a seguinte idéia estranha: a de que o roubo da empresa estatal brasileira era questão de soberania daquele país e que o Brasil não deveria se meter no assunto. Ou seja, o Brasil não tem interesses a defender; não tem soberania. Ou pior, na idéia de quem o disse, a soberania é apenas questão territorial. O Estado brasileiro não tem a obrigação de defender a integridade dos seus nacionais no estrangeiro. É como se o Estado só existisse para defender um pedaço de terra e não suas pessoas ou suas instituições. Os interesses do Brasil só se limitariam ao seu território.

Foi até mais grave. Relatei que os brasileiros da fronteira da Bolívia foram ameaçados de serem expulsos, sem indenização, já que o governo de lá queria roubar suas terras e seus investimentos. E mais uma vez, ouvi a pérola de que isso não fazia parte dos interesses do Brasil, já que não está na “soberania” brasileira. Quando retruquei sobre a incoerência dessas idéias e disse que o autor de tudo isso era Hugo Chavez, vi da parte de quem ouviu um ceticismo tremendo, quase que como uma perplexidade. As pessoas ao meu redor literalmente desconheciam das alianças entre Chavez e Evo Morales. Aquilo me deixou perplexo. Como é possível que numa sala de aula, professores e alunos desconheçam o evento mais grave da América Latina, da expansão do totalitarismo chavista? As pessoas me perguntavam de onde tinha tirado essas idéias. E respondi: - Basta ler os jornais da América Latina e pesquisar na internet!

Entretanto, professores e alunos comungam na completa falta de conhecimento sobre o que ocorre nos países hispânicos. Alguém poderia afirmar que haveria uma cumplicidade no crime, uma omissão proposital. Como os professores, em geral, são esquerdistas, tanto melhor que camuflem o que ocorre na América Latina e no mundo. Por incrível que pareça, uma grande parte dos professores simplesmente não sabe dos acontecimentos. Questões como as ligações de Hugo Chavez e Lula com o narcotráfico das Farcs, o poder do Foro de São Paulo (a maior entidade de extrema-esquerda na América Latina) e a aliança do esquerdismo internacional com o terrorismo islâmico são virtualmente inexistentes na consciência deles. Não são os únicos. A sociedade brasileira quase inteira ignora isso.

Malgrado essa irrealidade, o professor tinha passado um livro do geógrafo Milton Santos e um vídeo louvando sua obra. O filme é a visão da globalização pela ótica do Fórum Social Mundial, um festival de mendacidades, de tolices, de esquizofrenias das mais tolas. As pessoas reclamavam da “exclusão” do "capitalismo", do “consumismo”, do “neoliberalismo”, com suas câmeras e celulares de última geração nas baixadas, com seus PCs e suas internets. Não faltavam apelos aos sentimentos: as pessoas ricas, de um lado, criminalizadas por possuírem algo; e as pessoas pobres, de outro, retratadas como um contraste de um hipotético sistema “perverso”. Como não devia deixar de ser, o geógrafo baiano ainda nos prometia o “outro mundo é possível”. Chegava a ser irritante. Ele nos propunha meia dúzia de idéias genéricas, vazias, cheias de adjetivos inócuos, para não assumir o amor que não ousava dizer o nome, o amor socialista de cada militante marxista.

Milton Santos falava do tal “globalitarismo”, usurpando a concepção semântica do totalitarismo e atribuindo esse sistema à globalização econômica capitalista. Percebe-se a falsidade desse argumento. Na verdade, desde que o fenômeno totalitário foi estudado e descrito na sua vertente soviética, os socialistas e comunistas tentam desvirtuar a idéia central desse modelo político, criando paralelismos falsos entre o capitalismo e os sistemas totalitários. Na linguagem da esquerda, só existe o totalitarismo nazi-fascista ou capitalista. Como a União Soviética fracassou, a militância de esquerda precisou criar uma contraposição ao forjar espantalhos capitalistas em nossas democracias. Mas o tiro saiu pela culatra.

Alguns colegas acharam tal paralelismo um absurdo. Como o capitalismo pode ser tão ruim, se o nível de confortos e facilidades é tão visível? Qual a coerência de alguém reclamar do sistema de livre empresa, quando os pobres praticamente conseguem ter bens de consumo similares aos das classes ricas? É o caso desse povo “antiglobalização”: com suas facilidades de viajar para quaisquer cantos do mundo, critica o sistema que o beneficia. E defende um modelo que faria de suas nações verdadeiros campos de concentração, verdadeiras Coréias do Norte.

A pergunta que fica no ar é: será que estas pessoas têm perfeita idéia de como esses confortos chegam a elas? O meu professor de geografia achava que a tecnologia moderna era um dom natural dos céus, da história, não uma potencialidade que só o sistema capitalista foi capaz de realizar e expandir em grande escala. É a maldita influência da idéia progressiva da história, como se as etapas históricas levassem necessariamente a uma evolução da humanidade. É também a ideologia do homem-massa, descrita com maestria pelo filosofo espanhol Ortega y Gasset: a crença de que a civilização é natural, espontânea, não um produto do esforço humano, que pode ser perdido em uma época. Nada mais sábio do que as palavras de Edmund Burke: para que o mal prevaleça, basta que os bons não façam nada! É, basicamente, o que ocorreu no século XX e o que ameaça ocorrer no século XXI. Ninguém percebe que todo o complexo de valores, instituições e confortos que a civilização produziu pode um dia desaparecer. Basta que o mal vença!

Milagrosamente, vi alunos defendendo o capitalismo numa sala de história. Num ambiente onde só existe marxismo e as diferenças de idéias são tão somente uma diferença de marxismos, aquilo foi uma proeza e tanto. Talvez porque exista algo como senso das proporções. As pessoas bem ajuizadas notam, com razão, que há certa incompatibilidade entre o discurso pregado e a realidade vivida. Vi gente falando das facilidades econômicas e políticas da globalização, das proximidades entre regiões e países, do barateamento dos custos tecnológicos e de vida, enfim.

Houve alguns alunos leais ao discurso politicamente correto, crentes na autoridade cega dos professores e mesmo de Milton Santos. Há um culto ridículo à autoridade acadêmica nas universidades: dos professores aos alunos, o mero fato de alguém possuir algumas credenciais bacharelescas já é prova irrefutável de autoridade sobre determinado assunto. Uma pessoa só é filósofa ou historiadora se tiver diploma ou ser reconhecida pela comunidade acadêmica. Como parece não existir inteligência fora do que apregoa os modismos da universidade, daí a entender a soberba ignorância de muitos que vivem lá. Dentro dessa perspectiva, Aristóteles, Leibniz e Suetônio não seriam filósofos ou historiadores, porque não possuíriam o diploma da USP ou da UFPA. Se alguém chegar com credenciais bacharelescas do estrangeiro, o salamaleque é mais patético, ainda que seja complicado revalidar o diploma.

O professor, que queria conduzir os debates falando sobre Milton Santos, acabou ficando confuso. Queria direcionar dentro do foco do geógrafo e não conseguiu. Ele era excelente pessoa. Porém, como uma boa parte dos de sua classe, possuía idéias muito equivocadas sobre muita coisa. A própria influência de Milton Santos já era ruim, porque a perspectiva era completamente falsa. Quando as aulas acabaram, cheguei à conclusão de que o ilustre geógrafo baiano, tão conclamado pelas esquerdas, era uma nulidade intelectual, um militante de DCE acadêmico imaturo e estúpido, uma paródia caricatural do Fórum Social Mundial. Se Paulo Freire, com suas asneiras cantaroladas de forma messiânica, era o queridinho da pedagogia libertária, Milton Santos era o Paulo Freire da geografia, com sua fraseologia pomposa, prolixa, seus chavões transformados em sentenças e sua visão tosca da realidade.

Estou perfeitamente convencido de que a universidade atual, sob muitos aspectos, não é feita para nos informar, mas para deformar consciências. A disparidade entre realidade e discurso se tornou completamente esquizofrênica e foi bastante percebida nos debates em sala de aula por alguns alunos. Isso porque essas loucuras já são reproduzidas nas escolas de ensino médio. Não é por outra razão que a educação brasileira é uma das piores do mundo. O ensino está tão corrompido por ideologias espúrias e projeções estapafúrdias, que os alunos simplesmente não entendem o que vivem. Talvez nem mesmo os professores. É o mal da geografia rasteira, como da educação rasteira.


domingo, setembro 27, 2009

Totalitarismos mortos e vivos: o que a Veja não disse. . .

Quando um grupo de delinqüentes skinheads é preso por apregoar idéias nazistas ou espancar gays nas ruas, alguns setores da imprensa dão uma intensa cobertura sobre o assunto e fazem alarde histérico sobre o suposto crescimento do nazismo. A coisa se torna até caricatural: alguns programas de TV convidam membros da comunidade judaica a falarem das experiências dos campos de concentração na Europa, como se a ameaça nazista fosse onipresente, como se o espantalho de Hitler ressurgisse das cinzas do bunker de Berlim, para restaurar o poder, na figura de alguns marginais da baixada. Na cabeça dessas criaturas midiáticas mentecaptas, o espectro do nazifascismo ameaça assolar o mundo!

Entretanto, o mesmo tratamento não é dado ao comunismo. Se não bastasse a atenção desproporcional a um totalitarismo morto e enterrado há pelo menos quase 70 anos, os mesmos comentaristas e formadores de opinião ridicularizam àqueles que afirmam sobre a força que os movimentos revolucionários comunistas possuem em nossas democracias. Esses jornalistas dizem que o “socialismo morreu”, que o alerta anticomunista é “coisa da guerra fria”, que não existe nenhuma ameaça da volta de um regime totalitário similar ao que ocorreu na União Soviética e que ainda vigora na China e na Coréia do Norte. O comunismo mata até hoje. Mas ninguém liga. É um caso estranho de histeria rasteira com amnésia retardada!

Há de se conjecturar: a histeria antinazista foi de grande valia para o movimento comunista. Ela colaborou para transformar os inimigos do comunismo como meros reflexos do cadáver fascista, quando na verdade serviu de ocultações de crimes e genocídios muito mais assombrosos das ditaduras marxistas. Isso acobertou, inclusive, o envolvimento do Estado nazista com a União Soviética, em particular, o rearmamento da Alemanha pelo exército vermelho e a criação dos campos de extermínio alemães, estruturada com sólida logística da NKVD, a polícia política soviética. Essa desproporção doentia teve sólido apoio dos intelectuais de esquerda ocidentais, que inventaram o mito do ressurgimento nazista e ocultavam a ameaça real dos comunistas. Foram as idiossincrasias da tal “esquerda moderada” que tantos conclamam como “democrática”. Daí a patetice ridícula de censurar suásticas e prender meia dúzia marginais nazistas sem expressividade alguma, quando o Partido Comunista e seus sequazes similares da esquerda disputam democraticamente o poder, no intento de implantar seu sistema de opressão. E até hoje eles têm sólido apoio de uma intelectualidade universitária poderosa, dominadora, apta a disseminar "ativistas sociais" inúteis propagando as maravilhas da burocracia estatal voluntariosa, do Arquipélago Gulag e do milagre do Estado onipotente.

Essa esquizofrenia mental se torna mais visível quando a imprensa nacional registra os acontecimentos na América Latina e no mundo como se fossem expedientes acidentais, ocasionais, sem relações com um projeto de poder de um grupo. Pode-se incluir, como um exemplo clássico disso, a crença, disseminada até por liberais estúpidos, da famigerada morte do socialismo. Inclusive, algumas revistas falam da chamada “esquerda responsável”, que acolhe o livre mercado e abandona a concepção totalitária na economia e na sociedade civil. A burrice do liberal médio é achar que a liberdade se resume à sua visão economicista de livre mercado, ainda que a esquerda controle de forma totalitária todo o resto. Os liberais não estão empolgadinhos com os progressos do livre mercado na China comunista? Se a nossa realidade chegou ao estado de coisas alienantes dos dias de hoje, os liberais e paladinos do livre mercado têm grande cumplicidade com o crime. Acovardados, pusilânimes, complacentes, aceitaram perfeitamente o domínio das esquerdas em troca de migalhas. E foram eles que alimentaram a farsa da falsa defunta comunista.

A cobertura dada pela Revista Veja a respeito da crise em Honduras, causada por obséquio do ditador Hugo Chavez e do Presidente Lula, retrata essa cegueira sobre a “morte do socialismo”. A América Latina inteira caminha para o modelo socialista. E, mesmo assim, os idiotas ainda acreditam que o socialismo morreu. Morreu onde? Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, Paraguai, Argentina, El Salvador e agora Honduras, sofrem com o bolivarianismo, com o “socialismo do século XXI”. E o Brasil é o elemento estratégico de promoção de ditaduras esquerdistas na América Latina, com a ajuda do “moderado” governo Lula.

Os jornalistas de Veja e os liberais podem afirmar à vontade que o socialismo morreu, ainda que nossas escolas preguem literatura marxista a granel, ainda que nossas universidades sejam dominadas pelas esquerdas revolucionárias, ainda que a revolução russa e as ditaduras comunistas sejam glamourizadas como uma contrapartida viável ao capitalismo. Ademais, na mesma edição da revista há uma matéria a respeito dos partidos radicais de esquerda, nanicos, supostamente sem expressividade política nos pleitos eleitorais. Todavia, não é estranho que esses grupelhos tenham um controle desproporcional sobre os meios culturais de nosso país? Não é assustador que eles formem quadros justamente em universidades e escolas? Que mesmo o governo federal libere dinheiro público para organizações estudantis comunistas como a UNE? Ou que a indústria de invasão de terras praticada pelos radicais maoístas fanáticos MST tenha um aval milionário do governo petista?

Mas a Revista Veja dá ao leitor a idéia falsa de que o PT é diferente dos partidos radicais de esquerda que ela tanto deprecia. Os jornalistas ainda chegam a presumir que a ligação do movimento revolucionário com o narcotráfico na América Latina seria uma espécie de aberração, não uma parte essencialmente criminosa da militância comunista. Ou seja, os jornalistas santificam a esquerda e dão o aval de afirmar, categoricamente, que ela é partidária da democracia. Será que os jornalistas crêem que gente como Lênin ou Stálin eram figuras angelicais? Que o Partido Bolchevique se sustentava através de ofertas e dízimos? Qualquer pessoa minimamente informada saberia responder essa pergunta: os movimentos de esquerda guardam através de si um histórico tradicional de banditismo e criminalidade. O que ocorre na América Latina não é diferente do que Lênin fazia quando mandava Stálin assaltar um banco ou extorquir gente rica. A aliança de Lula, Chavez, Zelaya, com o narcotráfico das Farc não é mera coincidência. E o que é a criminalidade do Estado comunista senão o banditismo, o terrorismo e o genocídio transformados em lei? Ah sim, Veja nunca se refere ao socialismo “bolivariano”. No linguajar da revista, Chavez e Zelaya são apenas “populistas”!

O jornalismo da Revista Veja ainda colabora para outro rol de falácias. Fala do “golpe de Estado“ inexistente em Honduras, quando na verdade, essa idéia mitológica é criação fictícia das próprias esquerdas que querem destruir a democracia naquele país. O Congresso Nacional, o Judiciário, o Ministério Público e o exército tiveram plena legitimidade para derrubar o governo Zelaya, que violou a Constituição hondurenha. Por que um periódico, que supostamente tem fama de ser anti-petista, alimenta as mesmas mentiras do inimigo? O mais grave, contudo, é a omissão da reportagem a respeito da entidade mais influente da América Latina, o Foro de São Paulo, presidido, nada mais, nada menos do que pelo próprio Presidente do Brasil, Luis Ignácio Lula da Silva. Na Declaração Final do XV Encontro do Foro de São Paulo, ocorrido no México, entre os dias 20 e 23 de agosto de 2009, foi redigida uma declaração final nos seguintes dizeres:

"Décimo quinto. O XV Encontro do Foro de São Paulo aprovou mn plano de trabalhoo para o próximo ano que se propõe:
1. Acompanhar os governos progressistas e de esquerda, organizando um debate e intercâmbio permanente de informação entre os dirigentes dos partidos do FSP sobre a evolução da situação em América Latina e dos governos da região criando para eles um Observatório de Governos de esquerda e Progressistas.
2. 2. Apoiar decididamente a esquerda hondurenha nos términos de resolução particular aprovada por este XV Encontro”.

Em outras palavras, o movimento comunista está organizado em escala continental, impondo diretrizes a quase todos os governos do continente e decidindo, à revelia do povo de Honduras e demais outros países, pela destruição de seus sistemas democráticos. O Foro de SP pode rasgar a Constituição de Honduras e destruir a democracia e a soberania daquele país, tudo em nome da democracia!

Basta analisar a política petista em todos os seus ângulos para perceber que o governo Lula não é nada diferente de um partido revolucionário. O PT segue todos os passos da esquerda mundial, quando usa uma dupla face no sistema democrático. Por um lado, finge aceitar as regras do Estado de Direito; por outro lado, alimenta a sanha da revolta revolucionária. O PT é o partido que aceita o livre mercado, ao mesmo tempo em que expande uma gigantesca burocracia estatal e aparelha o Estado e a sociedade civil; é o partido que diz defender a democracia, da mesma forma que aprova as brutais tiranias islâmicas, reconhece a legitimidade da China comunista como economia de mercado e, ainda, dá franco apoio à ditadura da Coréia do Norte, no sentido de hostilizar o Japão e subjugar a democrática Coréia do Sul.

A política do PT, de fazer da embaixada do Brasil em Honduras um palanque do capataz de Hugo Chavez, o ex-presidente Zelaya, faz parte do mesmo processo revolucionário que contamina a América Latina. É o reflexo mesmo da futura ditadura do partido-Estado. O Ministro das Relações Exteriores, o mentiroso farsante Celso Amorim, e seu comparsa, o lunático Marco Aurélio Garcia, usam a diplomacia brasileira para atender aos interesses ideológicos do Partido e das esquerdas latino-americanas. Todos eles querem arruinar a democracia em Honduras; querem expandir a influência da Venezuela no país, implantando uma nova ditadura socialista. Ou pior, querem expandir o domínio do Foro de São Paulo, o braço armado do comunismo latino-americano, tal como em outras épocas fora o Comintern, sobre os países democráticos que ainda resistem no continente. O PT, ao estreitar laços com os regimes totalitários ou mesmo expandi-los, quer isolar o Brasil das relações com as nações democráticas e criar um aparato de poder ditatorial dentro do país. A questão é mais que óbvia. O mal mesmo é a desinformação.

No Brasil atual, a mídia pode fazer alardes tenebrosos sobre o crescimento inexistente do nazismo ou de qualquer outra aberração fascista. A comunidade judaica pode ser até convidada a participar da farsa, ignorando que os anti-semitas atuais não são nazistas, mas comunistas, aliados do Irã e do islamismo terrorista. Contudo, a despeito de todas as evidências notórias da expansão comunista na América Latina, o grosso da imprensa se aliena, fecha os olhos, dissemina que tudo é teoria da conspiração. Ou na pior das hipóteses mente ao público. A Veja participa desse tipo de mistificação, negando os fatos. O totalitarismo morto assusta mais do que o totalitarismo vivo. O cadáver do nazifascismo oculta o ogro filantrópico comunista, vivíssimo no mundo! A desproporção entre fantasia e realidade mostra a esquizofrenia sintomática das mentalidades atuais.

Uma república da farsa.

Acompanhei com certo ceticismo as manifestações que pediam a renúncia do senador José Sarney ao cargo de Presidente do Senado. Na verdade, essas manifestações são um sinais claros de uma perversão moral completa de nossos tempos. Alguém achará aqui que defendo Sarney? Nada disso. Pelo contrário, por que será que um grupo de pessoas faz histeria nos gritos de “fora Sarney”, quando na verdade, não move uma palha ao governo que o sancionou e o apoiou, ou seja, o governo Lula? É estranho que façam campanhas pela moralidade, quando na verdade o presidente Lula, depois do completo envolvimento com o senador, torna-se figura intocável, acima do bem e do mal, a despeito de seus delitos bem piores. A culpa pela desmoralização do senado não é de José Sarney: é do governo Lula. E onde estão os protestos de “Fora Lula”?

Se há algo que retrata muito bem nessas campanhas de ética na política é a farsa moral em vista de uma indignação fingida. Não duvido muito que os idealizadores da campanha contra Sarney sejam todos quase petistas. Ou, no mínimo, uma minoria petista deu a idéia para que a massa tola seguisse os caminhos da moralidade fajuta. “Ética”, por, assim dizer, virou apenas jogo retórico para ganhar votos, manipular idiotas úteis ou atacar os inimigos. Há tal distorção do sentido da realidade, que as manifestações parecem esquizofrênicas, fora de contexto. Por que a opinião pública lava as mãos pelo presidente Lula? O viés ideológico e a cumplicidade com o crime são elementos óbvios demais para perceber o que está por trás da destruição do senador José Sarney. É assustadora a vesguice intelectual das classes políticas e das elites, no que diz respeito a uma campanha de desmoralização do Congresso Nacional. Sarney serve para virar espantalho da Casa Legislativa, no sentido de desmoralizá-la. O pior de tudo é que o senador, raposa da nossa república, ainda alimente este jogo, confundindo sua vida abjeta de corrupção e falcatruas com a impessoalidade do Senado.

De fato, o fenômeno revela algo bem pior: uma classe de pessoas neste país tem o monopólio de ditar o que é moralidade política para os outros, ainda que não se sujeite a esta. Desde a época de Fernando Collor, passando pelo governo FHC, as esquerdas revolucionárias, lenta e gradualmente, ocuparam espaços na sociedade civil, explorando o vácuo da opinião pública e tornando-se voz dominante por intermédio dos meios culturais e políticos, através dos chamados “movimentos sociais”. De fato, há um alijamento completo da sociedade civil com as entidades que dizem representá-la. Por um lado, pequenos grupos rigidamente organizados, que dominam os espaços culturais e midiáticos, suprimindo dissidências internas e implantado uma verdadeira ditadura cultural de opiniões; e por outro, uma massa amorfa de pessoas, sem representatividade, obrigada a votar em projetos que não acredita ou simplesmente ignora. O grosso desses indivíduos é conservador e anti-totalitário, mas não tem voz e não se mobiliza; uma parte importante da elite política e cultural é largamente revolucionária e totalitária e quer impor goela adentro seus projetos de engenharia social sobre toda a sociedade. Tal é o sentido da gravidade por que passa nossa democracia.

O presidente Lula, no limiar do mais completo cinismo, afirmou que as próximas eleições presidenciais serão uma disputa entre esquerdas. Ele sabe o que diz. A oposição há muito deixou de atuar no país. É pior, a oposição é também de esquerda. O presidente revela seu conceito particular de “democracia”. Na prática, a pleito eleitoral não passará de um revezamento entre facções de esquerda, uma versão disfarçada do “centralismo democrático” leninista. Só que o partido não uma entidade política ou institucional apenas: é a própria cultura, através do imaginário esquerdista disseminado sobre toda a sociedade. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, reproduzindo Antonio Gramsci, já falou claramente que o Brasil já alcançou a “hegemonia” da esquerda. Não é por acaso: há gente que acredita que o PSDB seja de direita! Sim, os tucanos são a direita sim, mas da esquerda!

A absolvição de Sarney era mais que esperada. Com o apoio de dos ratos de porão da Casa Legislativa Renan Calheiros, Collor (outrora inimigo de Lula), a trupe petista e outros demais bandidos da república, a impunidade se tornou regra, a ilegalidade se tornou lei. No entanto, esses mesmos aliados do petismo estão afundando, lenta e gradualmente. E quanto mais as velhas oligarquias cavam sua sepultura, um novo poder oligárquico, poderoso, impassível, inescrupuloso e acima de qualquer princípio de moralidade perverte e contamina todas as instituições da república. É a farsa de nossa democracia!